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Terça-feira, 9 de Setembro de 2008
Biótopo = Qualidade de Vida

O conceito de Biótopo é inúmeras vezes ignorado pelos aquariofilistas que mantêm os seus aquários sustentados na beleza e até raridade de algumas espécies. Na realidade, a noção deste conceito é imprescindível à correcta manutenção das espécies que constituem esses aquários e, simultaneamente, ao apuramento deste hobbie.

Um biótopo (palavra que deriva etimologicamente do grego bios = vida + topo = lugar), constitui de uma forma genérica um determinado habitat, no fundo não é mais do que uma região onde os factores físicos e químicos são primordiais para o bem-estar da comunidade que compõe essa área geográfica. Certo é que, muita gente tem exemplares nos seus aquários que não se coadunam com o suposto biótopo que inicialmente se escolhe e que ao longo dos tempos se vão aguentando e provam que de facto são capazes de sobreviver nesse meio. Na realidade é mesmo disso que se trata, apenas SOBREVIVEM e tentam a todo o custo adaptar-se às novas condições impostas. Ao longo de milhares de anos as espécies piscícolas, à semelhança da espécie humana e de todas as outras espécies do planeta, sofreram sucessivas adaptações climáticas, morfológicas, geográficas e sociais que permitiram uma evolução gradual até se transformarem naquilo que hoje são (e continuam a evoluir, de acordo com as condições que sucessivamente se alteram de dia para dia). No seio destas transformações, uma das mais importantes é de facto a morfológica, definindo as capacidades de uma espécie perante determinados factores, levando a que, tudo o que estiver para além dessas mesmas capacidades e incutido de uma forma brusca produzirá um choque com consequências danosas ao organismo.

Um dos factores que mais identifica esta situação é, sem margem para dúvidas, o PH e a dureza da água desses aquários. O factor PH identifica o nível de acidez ou alcalinidade da água, sendo que a escala – que vai de 0 a 14 – é construída em base logarítmica. Isso significa dizer que, se o índice de pH da água cair, por exemplo, em uma unidade na escala para o lado ácido, significa um aumento em 10x dos íons dissolvidos na água. Uma queda em duas unidades, significam 100x mais íons, e assim por diante.

Posto isto, dá claramente para termos uma ideia do efeito devastador dessa queda sobre os peixes. Porque é tão importante a medição do PH da água de um aquário? Precisamente porque, entre outras coisas, ele tem influência directa no organismo dos peixes no que respeita à absorção do oxigénio e à capacidade de transporte pelo sangue, além da troca gasosa na bexiga-natatória e nas guelras, ou seja, quedas muito drásticas do PH no sangue originam grandes problemas na sua circulação podendo inclusive causar um colapso e a consequente morte dos animais.

Desta forma, as oscilações do PH dependem muito das espécies, da sua adaptabilidade natural à água do aquário e até da troca de água que ocorre no metabolismo dos animais. Muitas vezes os peixes apresentam alguns sintomas que podem passar despercebidos aos nossos olhos mas que favorecem o diagnóstico da chamada doença “ácida” ou da doença da "alcalinidade".

Alguns dos sintomas que assentam nesses pressupostos passam essencialmente por “…uma atitude inquieta, respiração difícil, tiros pelo aquário, saltos, posição oblíqua (com a cabeça na direcção da superfície), cambalear pelo aquário, aparente asfixia até à efectiva morte por asfixia em função da destruição do tecido das guelras.” A morfologia os animais sujeitos a tais condições é igualmente notável, denotando-se um muco que cobre de forma excessiva o corpo e as guelras dos peixes, levando à asfixia e ao colapso epitelial. Refira-se ainda que, no caso da “doença alcalina” as guelras e nadadeiras ficam completamente corroídas.

Muito comummente encontramos espécies tipificadas em PH ácido nos aquários de Ciclídeos Africanos e que são sujeitas a uma alcalinidade extrema sob pena das consequências acima referenciadas. Na sua maioria, tratam-se de peixes de fundo encontrados como a melhor solução para o combate de algas nos aquários e simultaneamente pela beleza que muitos desses exemplares apresentam. Desde alguns Hypostomus plecostomus, Baryancistrus, entre outros, encontramos variadas espécies que todos os dias lutam em vão por uma qualidade de vida que só passados milhares de anos, com uma anatomia orgânica já bem diferente e adaptada a essas condições, conseguiriam alcançar.

O intuito deste artigo não passa de forma alguma por demover essas espécies desses aquários, mas apenas elucidar de uma forma mais exacta sobre esta questão tão importante dos parâmetros de água num aquário. Acredito sinceramente que muitas espécies sobrevivam durante muito tempo, mas sabemos contudo, e agora mais pormenorizadamente, de que forma sobrevivem e como todos os dias se mantêm agarradas à vidinha.



publicado por Bruno Silva às 11:32
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Sábado, 9 de Agosto de 2008
Manutenção de MBUNAS parte VIII

8. Compatibilidade e Agressividade:

 

 

Se em parte podemos dizer que existe uma grande homogeneidade entre as várias espécies de M’bunas, tanto na cor, como no tamanho e constituição física, já podemos dizer que esta existe no que se refere ao seu comportamento. O seu comportamento espectacular e goza de uma diversidade que raramente se vê em outro tipo de géneros de peixes. Tanto devido ao seu hábito de constituírem territórios como pelo facto de serem poligâmicos e lutarem por um lugar hierárquico superior e assim terem o “direito” de acasalar com as fêmeas do aquário.

Consequentemente, podemos sim dizer que o comportamento (grau de territorialidade e agressividade) está longe de ser uniforme. Certas espécies podem ser consideradas calmas e pouco agressivas enquanto que outras podem são muito agressivas e com um comportamento menos bom para se manterem com as primeiras. Nestes últimos temos por vezes um grau de territorialidade muito acentuado também nas fêmeas.

Existem outros casos que a territorialidade é unicamente intra-específica, os indivíduos de outras espécies distintas são simplesmente ignorados. Por exemplo, no caso dos Melanochromis, não são territoriais, no entanto isso não os impede de serem muito agressivos e que quase sempre assumem a topo da hierarquia no aquário. Nem só a sua agressividade faz deles os mais fortes mas também o seu tamanho e a sua técnica de combate, em movimentos circulares muito apertados que qualquer outro grupo de M’bunas de tamanho equivalente consegue realizar.

Assim, ao contrário do que muito aquariófilos pensam, estes peixes são insuportáveis e impossíveis de manter num aquário pequeno, não é devido à sua territorialidade mas sim à sua agressividade inter e intra-específica.

Posto isto, poderemos dizer que a hierarquia e a harmonia do nosso aquário depende das espécies que escolhemos, tendo sempre em consideração o seu tamanho, territorialidade, agressividade, técnicas de combate, etc.

Relativamente a estes dois aspectos, posso afirmar que nos meus dois aquários de M’bunas que mantenho com muito orgulho e empenho, ambos possuem uma harmonia ideal ou perto disso. Ambos conseguem manter-se com uma agressividade moderada e isentos de casos de hibridações. Um deles está hierarquicamente dominado por um Labeotropheus fuelleborni (muito maior que os restantes) praticamente isento de agressividade inter específica mas que dado o seu tamanho consegue manter o respeito perante os restantes e manter um equilíbrio no aquário. No outro, é um caso totalmente distinto do primeiro, neste aquário mantenho espécies distintas entre si e todas elas aproximadamente do mesmo tamanho e agressividade idênticas. Tanto um como outro consegue-se observar o comportamento dominante de todos os machos das diferentes espécies, e como consequência ter o privilégio de periodicamente ninhadas de alevins serem vistas vaguearem pelo aquário, sem nunca haver casos críticos de agressividade entre eles.

Como conclusão, existem vários factores a serem considerados no momento de povoarmos o nosso aquário seja ele de que tamanho for, que passo a referir aqueles que me parecem mais importantes e alguns já abordados anteriormente e outros o serão mais adiante:

  • Tamanho
  • Agressividade
  • Técnicas de combate e o vigor com que defendem o seu território
  • Comportamentos inter e intra específico
  • Padrão de cor

Retirado de :



publicado por Bruno Silva às 16:31
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